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Jessica é capa da Shape Magazine

A revista Shape Magazine divulgou a capa de sua próxima edição, estampada por Jessica Chastain. Em entrevista, a atriz falou sobre veganismo, seu próximos projetos, luta pela igualdade salarial e sobre como tem cuidado de sua mente durante a quarentena. Confira a entrevista completa traduzida pelo JCBR.


Jessica Chastain está mudando a forma como as mulheres são pagas (e vistas) em Hollywood

Andar pelo tapete vermelho e aparecer nas telas de cinema são apenas partes superficiais do trabalho que a maioria das pessoas veem. Nos bastidores, ela está liderando um movimento por igualdade - e forjando seu próprio caminho para realizar tudo isso. 

Jessica Chastain é uma mulher multitalentosa. Há a atuação, claro. A atriz duas vezes indicada ao Oscar já estrelou mais de 25 filmes, incluindo The Forgiven, que explora as consequências de um acidente aleatório (lançamento previsto para este ano); The Eyes of Tammy Faye, sobre a telelevangelista Tammy Faye Bakker; e The 355, um thriller de espionagem internacional sobre agentes tentando recuperar uma arma ultra secreta, com lançamento para 2022.

Mas talvez você não saiba que Jessica também é um chef treinada que ama cozinhar, uma ex-bailarina que já saiu em turnê, e a fundadora de uma companhia de produção, Freckle Films, que tem algumas ideias de negócios com visão de futuro. Exemplo: para The 355, que ela também produziu, Jessica, 43, surgiu com a ideia de que todos os atores fossem pagos igualmente (ela é uma feroz defensora de igualdade salarial) e dividissem os lucros do filme. “Muitas vezes, nossos nomes são usados para vender filmes, e é assim que o dinheiro para esses filmes é levantado”, Jessica explica. “Então eu pensei, se nossos nomes estão sendo vendidos, então nós temos que ser donos do filme”.

Quando ela propôs The 355 para suas co-estrelas Lupita Nyong’o, Penélope Cruz, Diane Kruger e Fan Bingbing, Jessica disse para elas “Se vocês fizerem este filme, terão que concordar em vendê-lo, porque vocês serão proprietárias. Nós vamos vender os direitos de distribuição para levantar fundos para o filme, e todos recebem uma parte da bilheteria”, ela lembra. As atrizes concordaram, e o filme foi vendido rapidamente. “Eu não sei se algo assim já foi feito antes, e honestamente, eu fico um pouco chocada que isso deu certo”, diz Jessica. “Mas espero que isso crie um novo modelo onde os artistas possuem seu próprio trabalho”.

Essa jogada é clássica de Jessica, embora ela não goste de falar muito sobre o que ela faz nos bastidores. Como a vez em que ela negociou para a atriz Octavia Spencer o mesmo pagamento que ela estava recebendo por um filme que elas estavam trabalhando juntas.

Quando o assunto é a luta por igualdade salarial, eu prefiro apenas fazer e não falar sobre isso. Eu acho que é muito mais poderoso se eu não tiver que explicar.

Jessica Chastain

O que ela gosta de falar é sobre as mulheres importantes em sua vida. Durante o isolamento ano passado, ela esteve em casa por vários meses com seus entes queridos. “Foi ótimo porque minha avó estava comigo, e eu pude passar tempo com a minha família”, diz Jessica. “Minha mãe tem estado conosco várias vezes também. Mas eu sinto muita falta das minhas amigas, Eu tenho saudade de sair para jantar, só as garotas. Sinto falta de um coquetel, dividir segredos, e receber conselhos de todo mundo. Eu tenho sentido muita falta dessa sensação de comunidade”.

Enquanto ela volta para a vida profissional, reescrevendo seu novo normal, Jessica compartilha suas estratégias para encontrar alegria e calma no meio da loucura e fazer a diferença.

Exercitando sua mente e também seus músculos

“Durante a quarentena, eu fiz os treinos TORCH’D do Isaac Boots com minha avó, que está em seus 80 anos. Fazer isso com a minha avó todas as manhãs foi um ótimo sopro de sanidade durante aquele período. E ela realmente me ajudou a ser responsável. Agora que estou nos ensaios de filmagem em Nova York, eu faço os treinos do Isaac algumas vezes na semana, e eu também faço yoga online duas vezes na semana, que me ajuda a limpar a mente.

Treinar me dá confiança. Aquela sensação de ter orgulho de mim mesma. O começo dos exercícios é sempre difícil para mim – encontrar tempo e um espaço quieto e sentir que tenho um milhão de outras coisas pra fazer. Mas quando termino, eu imediatamente me sinto como uma super-heroína. É também um lembrete – especialmente quando você está em uma posição de ioga segurando uma prancha, e você está tremendo e pensando, Eu não consigo fazer isso! – de que honestamente, você consegue fazer qualquer coisa”.

Escutando seu corpo

“Eu me tornei vegana 14 anos atrás. Naquela época, eu me sentia muito fraca, e eu me lembro de ficar doente. Eu estava fazendo um dos meus primeiros filmes, no qual eu tive que interpretar idades diferentes durante a vida do mesmo personagem, e eu quis mudar meu corpo de acordo. Então eu ganhei e perdi peso muito rápido. Depois disso, meu corpo estava destruído. Um amigo disse, ‘Você deveria tentar essa dieta crua por duas semanas’. Eu odiei. Na primeira semana, eu me senti miserável. Mas na segunda semana, eu tinha muita energia. Quanto as duas semanas terminaram eu estava tipo, pra mim chega! Eu fui a um restaurante e pedi risoto e peixe. E naquela noite, eu me senti mal de novo. Eu decidi que meu corpo estava me dizendo claramente a forma como ele queria que eu comesse. Eu fiz a dieta crua por nove meses. Agora eu sou apenas vegana.

Eu amo cozinhar – amo tanto que fui ao Natural Gourmet Institute em Nova York em 2012 e fiz o curso intensivo de treinamento de chefs. No inverno eu gosto de fazer sopas e ensopados e qualquer coisa assada. Eu também gosto muito de alimentação como medicina. Chá de raiz de alcaçuz tem sido meu vício durante a pandemia, porque alcaçuz é ótimo para o seu sistema imunológico.”

Trabalhando para encontrar calma e clareza

“Eu não quero que ninguém interprete isso mal ou faça algo que não é saudável para si mesmo, mas é importante para mim fazer jejum uma vez por semana. Eu faço um detox de suco verde toda segunda-feira. Eu gosto de começar minha semana em um lugar calmo, escutando o que está acontecendo na minha cabeça. É uma sensação de me dar um momento para ficar limpa e permitir que meu corpo se recomponha. Me ajuda a começar a semana”.

Sendo apaixonada pelo que faz

The 355 é o termo para um grupo de mulheres que trabalham nos bastidores da espionagem, fazendo coisas que nós nem imaginávamos serem possíveis. O objetivo do filme é celebrar as mulheres na espionagem. Há algumas cenas de luta extensas, e eu queria que todo o elenco tivesse a oportunidade de fazer tudo isso. Lupita tem uma cena de luta bem divertida. Diane é ótima – ela é durona, pilotando sua moto. As vezes nós somos escaladas nos mesmos tipos de papel, e eu senti que era importante mostrar que essa pessoa pode fazer aquilo e isso também.

Tem algo que eu pensei em relação aos filmes que eu fiz, como Interstellar, interpretando uma física que soluciona a equação da gravidade. Ou em The Martian, onde eu era a comandante de uma missão a Marte. Essas imagens de mulheres na mídia são extremamente importantes para mim. Nos últimos cinco anos, eu me perguntei ‘O que eu estou escolhendo? Eu estou mostrando mulheres de uma forma diferente do que tem sido mostrado? Como eu posso ampliar essa discussão? Eu estava fazendo isso especialmente para jovens garotas. Mas é importante fazer isso para os meninos também. Porque garotos e homens deveriam se sentir confortáveis em ver mulheres nesses papéis. Caso contrário, nós estamos negando a eles a ideia de que o feminino é poderoso e forte”.

Encontrando uma forma de estimular a mudança

“Eu quero usar qualquer plataforma que eu tenha para amplificar alguém que não tenha uma plataforma. Eu sempre senti que era irresponsável permitir que outra pessoa fosse ignorada, intimidada ou não fosse ouvida. Eu não quero viver em um mundo que algo assim seja aceitável.

Eu comecei a atuar escolhendo projetos que me permitissem explorar experiências que eu queria ter pessoalmente, ou que me ajudassem a crescer como artista. Então eu senti que eu tinha que ser mais responsável socialmente com os projetos que eu escolho. Isso não significa que todos os filmes são bons ou ótimos, mas significa que eu estou tentando exibir imagens que desafiam uma noção ou sistema preconcebido ou um estereotipo do que é uma mulher.

É assim que eu me aproximei desse tipo de ativismo: fazendo algo ao invés de desejar. Você pode falar sobre alguma coisa; você pode desejar que isso aconteça. Mas em um certo momento, o que você realmente pode fazer que mude a discussão? Para mim, é sobre o ato de fazer.”


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