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Entrevista | Jessica fala sobre ‘Scenes From a Marriage’ e ‘Tammy Faye’

Jessica Chastain é capa da nova edição da revista Dujour e concedeu uma entrevista exclusiva falando sobre ‘The Eyes of Tammy Faye‘ e ‘Scenes From a Marriage‘.

Confira a tradução completa feita pelo JCBR:


Em 2012, não muito após de Jessica Chastain ter finalizado Zero Dark Thirty, um thriller rasgado das manchetes sobre a busca por Osama Bin Laden que rendeu à atriz de 44 anos sua segunda indicação ao Oscar, ela olhou seriamente para a Hollywood ao seu redor.

“Eu imediatamente percebi que não existia muitas opções para as mulheres, pelo menos em termos de grandes personagens os quais são diferentes. As atrizes eram reguladas para um único tipo ”, diz Chastain, falando por Zoom durante as férias com amigos e sua família na Itália. Estudar atuação e teatro de repertório na Juilliard em Nova Iorque deu a ela uma ampla gama de opções de papéis, mas, de repente, ela abriu os olhos para ver que o mundo do cinema poderia ser “um pouco limitador em termos do que as pessoas estavam oferecendo”.

Foi nessa época que Chastain topou com o documentário lançado em 2000 “The Eyes of Tammy Faye”. Narrado por RuPaul, é sobre a vida da falecida Tammy Faye Messner, uma personalidade cristã da TV, cantora e evangelista frequentemente parodiada por causa de seu casamento com Jim Bakker (que mais tarde foi preso por fraude e conspiração), sem mencionar o seu estilo exagerado, que incluía maquiagem pesada e um bronzeado perpétuo. Messner morreu em 2007 de câncer de cólon.

“Eu sabia sobre a Tammy pelo que tinha visto no Saturday Night Live, mas na verdade nunca tinha visto ela dando uma entrevista até assistir ao documentário”, disse Chastain. “Minha impressão da esquete da televisão foi que ela chorava o tempo todo, que ela era uma vigarista e sempre tinha rímel escorrendo pelo rosto.”

Mas Chastain ficou particularmente comovida com o filme e a mensagem de Messner de que “todos merecem amor”, explica ela. Então, ela ligou para o seu agente e empresário e comprou ela mesma os direitos do longa-metragem narrativo desse documentário.

Vá em frente. Chame isso de uma das “ideias malucas” da Chastain, diz ela. “Mas tenho essas ideias de que temos de ir contra a maneira antiquada de trabalhar da indústria cinematográfica.”

Outra “ideia maluca” que Chastain teve foi um thriller de espionagem voltado para mulheres, um assunto que ela aprendeu enquanto trabalhava em Zero Dark Thirty. “Onde está a versão feminina que não é uma comédia?” Chastain se perguntou. Ela montou uma equipe de atrizes (incluindo Lupita Nyong’o e Penelope Cruz), encontrou uma roteirista (a dramaturga Theresa Rebeck, da qual Chastain fez cenas em Juilliard de Spike Heels) e The 355 será lançado no início de 2022.

“Fiquei muito feliz”, diz Chastain. “As atrizes são as donas do filme. Que incrível. ”

A verdade, explica a ruiva Chastain, é que “criar [cinema e televisão] dá muito trabalho. Existem tantas dores de cabeça no lado da produção. É muito mais fácil quando alguém envia um script para você. Mas eu nunca fui a pessoa que diz para seguir o status quo. Eu estudei a indústria por muito tempo. Se recebi este bilhete dourado, entendo como sou sortuda por fazer o que eu faço. Para mim, não usar minha plataforma para fazer algo de positivo para os outros é simplesmente irresponsável. ”

Vamos pular nove anos até setembro deste ano, e os frutos do trabalho de amor de Chastain, um filme narrativo também chamado The Eyes of Tammy Faye, vai chegar nos cinemas. Se a carreira de Chastain inclui uma série de performances camaleônicas em X-Men: Dark Phoenix, The Help, Molly’s Game, The Martian e Interstellar, entre outros, The Eyes of Tammy Faye fornece uma transformação completa. Chastain acrescenta: “Eu pareço tão diferente em cada um desses filmes”.

“Ela desapareceu completamente nessa personagem”, diz Michael Showalter (The Big Sick), o diretor do filme.

“Esta é uma personagem com a qual Jess viveu por tanto tempo e um projeto de verdadeira paixão no qual ela honra uma pessoa real”, diz Andrew Garfield, que co-estrela como Jim Bakker. “Também íamos à igreja juntos nos domingos de folga, tentando nos comunicar com Deus, Jim e Tammy e fazer justiça a eles”.

Teve dias em que Chastain levava sete horas e meia para se maquiar como Tammy Faye, especialmente para um número musical final que vai sem dúvidas deixar os prognosticadores da award season alvoroçados. “Eu só queria chorar”, diz Chastain. “As pessoas não entendem que [esse tipo de maquiagem] consome muita energia, mas eu usei esse tempo para ouvir a voz dela. Eu apenas assisti novamente e assisti novamente o vídeo. Eu vi todos os vídeos que ela já fez. ”

Pela primeira vez, Chastain também deve cantar várias vezes na tela. Ela já tinha feito isso antes, um pouco em Crimson Peak e em Tree of Life, “mas eu nunca cantei como a Tammy Faye. Sendo honesta, era para eu ter pré-gravado [algumas faixas] e fiquei com tanto medo”, diz Chastain. “Bebi whiskey e Throat Coat [chá]. Com a Tammy Faye, sempre parece que ela está gritando para o céu.”

Na verdade, lembra Chastain, “teve tantas partes na produção desse filme que me apavoraram. No primeiro dia de filmagem, comecei a tremer antes da primeira tomada. Isso nunca tinha acontecido comigo em um filme, e foi tão constrangedor. Mas eu pensei: se vou me jogar desse penhasco, vou pular do fundo do poço. As pessoas podem realmente tirar sarro de mim. Mas a Tammy Faye provavelmente pensava isso todos os dias, e ela fazia mesmo assim.”

A capacidade de Chastain de sentir o medo e fazer as coisas mesmo assim certamente não surpreenderia Anne Hathaway, que se tornou amiga íntima de Chastain quando elas filmaram Interestelar. Hathaway chama Chastain de “uma mistura irresistível de características”, duas das quais são “destemida e perspicaz. Ela é uma ouvinte talentosa e sintonizada na vida e na tela. Jess é uma das pessoas mais generosas e sensíveis – mas durona – que eu conheço.”

Também neste outono, Chastain aparece com muito menos maquiagem e mais luz natural na nova Scenes From a Marriage da HBO, baseada na minissérie sueca de Ingmar Bergman de 1973. Chastain contracenou com Oscar Isaac, seu velho amigo da Juilliard de 20 anos, que mandou uma mensagem de última hora para ela entrar enquanto a série estava entrando em produção durante a pandemia de COVID-19. “Ela é uma das grandes”, diz Isaac.

“Ela é alguém que sempre me inspirou e trouxe o melhor de mim, tanto como ator quanto como pessoa. Atuar com ela é fácil. Nada precisa ser planejado com antecedência. Enquanto estou presente, sei que tudo pode acontecer porque existe confiança total. ”

Chastain acrescenta: “Devido ao Oscar e eu estarmos tão confortáveis (com a presença do outro), não precisamos ser educados. De certo modo, podemos ler a mente um do outro.”

Diz o criador de Scenes From a Marriage, Hagai Levi, conhecido por seu trabalho no original Israeli In Treatment, “A química antiga deles fez com que a dinâmica do casamento parecesse muito real e próxima na tela”.

Claro, Chastain tem seu próprio marido elegante em casa, o executivo de moda Gian Luca Passi de Preposulo. Ela promete que, embora Scenes Of A Marriage e The Eyes Of Tammy Faye mostrem relacionamentos desmoronando (assim como A Doll’s House de Ibsen, que Chastain espera fazer no West End em breve, depois que uma produção foi cancelada por causa da pandemia), seu marido é “ótimo.”

Normalmente, como há tantas pessoas trabalhando no set, você recebe muitos visitantes e “tem pessoas em todos os lugares”, diz Chastain. Mas, por causa dos protocolos, Preposulo não tinha permissão para visitar Chastain em Scenes From A Marriage. “Não teve uma pausa. Eu queria ser lembrada do meu ótimo marido, mas era tão intenso e tão íntimo. As tomadas duravam 25 minutos. Estávamos totalmente investidos em nossos personagens.”

Que é, claro, a razão pela qual Chastain começou a atuar no começo. E se ela conseguir empurrar Hollywood no processo, é ainda melhor. Fazer Tammy Faye, ela explica, foi “a coisa mais difícil que já fiz e a mais assustadora que já fiz. Mas fiz isso porque isso precisava ser contado. Não sou muito boa em seguir a linha e manter o status quo. Nunca fui boa nisso.”