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Entrevista para o “The Huffington Post”

    Em “Miss Sloane”, Jessica Chastain interpreta uma lobista de Washingt0n que antes queimaria todos que estivessem em seu caminho do que falharia. Fã de usa pílulas e poderosos ternos pretos, Elizabeth Sloane é impetuosa e intimidante – o exato oposto de Chastain, cuja carreira de 12 anos tem emprestado a ela a reputação como uma das [artistas] mais agradáveis de Hollywood.

     Tendo uma estreia limitada nesse fim de semana, “Miss Sloane” mais uma vez coloca Chastain no meio de uma corrida congestionada de Melhor Atriz. Esse poderia marcar sua terceira nomeação ao Oscar, depois de “Histórias Cruzadas” e “A Hora Mais Escura”. Eu sentei com Chastain mês passado para discutir o filme, o papel das mulheres no mundo dos lobistas, a preparação para interpretar Tammy Wynette e por que ela não consegue assistir à “A Árvore da Vida”.

Elizabeth Sloane é como Olivia Pope de “Scandal” e Carrie Mathieson de “Homeland”.

[Risos] Esse é, realmente, um paralelo interessante para se fazer. Para mim, “Sloane” é uma história sobre vício, porque ela é viciada em ganhar. Eu acho que Carrie é assim em “Homeland.” Mas também, isso é o exemplo da mulher que é super preparada, que está há um passo à frente de todo mundo, o que provavelmente é um paralelo com “Scandal”. Em nossa sociedade, às vezes temos dificuldades com relação às mulheres que são excessivamente preparadas e ambiciosas. Eu estava realmente animada para explorar a interpretação de uma personagem como essa.

É fácil determinar que seu desejo de ter sucesso se origina da necessidade de trabalhar mais do que seus colegas masculinos para provar a si mesma.

Exatamente. Menos de 10 porcento dos lobistas em D.C. são mulheres.

O que esse papel fez você pensar dos lobistas que vão contra seus próprios interesses políticos por muito dinheiro?

Isso é interessante porque o filme aborda o debate de armas, certo? Mas, na verdade, isso poderia ser sobre qualquer questão. Isso poderia ser sobre a mudança climática ou a imigração que está acontecendo agora, porque é um exemplo de “Quando você tem a maioria do público querendo alguma coisa, por que isso é tão difícil ter um projeto de lei aprovado?”

Eu não percebi até que eu fui a D.C. e fiz uma pesquisa sobre o que estava acontecendo ali. Eu não tinha percebido que os senadores e homens do congresso, em vários casos, vão atrás de três fundraisers por dia. E então, como sua prioridade pode ser representar as pessoas, quando seu foco está em arrecadar dinheiro para manter o seu lugar no cargo público? Isso significa que você está sendo comprado por qualquer um que te der dinheiro. Eu acho que essa é a situação que nós devemos nos atentar.

Você tem interpretado algumas personagens com ligações políticas do momento, particularmente Maya em “A Hora Mais Escura.” Você já sentiu a necessidade de avaliar o que isso faz para você como uma figura pública, sabendo que os artistas intérpretes são às vezes inextricavelmente identificados por seus personagens?

Minha meta é criar a discussão. Eu não estou aqui para dizer as pessoas como viver a vida delas. Eu não estou aqui para dar palestra. Eu estou longe de ser uma pessoa perfeita e eu não quero julgar ninguém e eu não quero que ninguém me julgue. Eu sou muito “viva e deixe viver”. Mas, há alguns anos, eu tive um momento em que eu apenas pensei “O que eu estou fazendo? Como eu estou contribuindo nesse mundo? Eu tenho o melhor trabalho. Sou tão sortuda, sou tão grata. Mas é como comer um bolo todos os dias. Eu quero compartilhar esse bolo”. Agora eu estou tentando participar de projetos em que eu estou atuando e também nos da minha companhia de produção, que estou fazendo, mas não vou atuar neles. Que indústria incrível, onde nós podemos inspirar uma conversa.

O que a levou para esse momento?

Bom, eu tive esse momento antes, mas o que eu posso te falar é o que criou essa ação em mim. Eu estava no Critics’ Choice Awards e eu dei um discurso sobre diversidade. Eu ganhei um prêmio que foi para todo um corpo de trabalho e não só para um filme, então eu estava como, “O que eu falo?” Era o aniversário de Martin Luther King Jr., então eu pensei “Eu vou falar sobre diversidade e o fato de que precisamos dela na indústria.” Isso foi há alguns anos, e então na semana seguinte eu fui para a Inglaterra para divulgar “Um Ano Mais Violento”, e eles disseram, “Nós amamos o seu discurso, mas o que você vai fazer agora?” e eu fiquei tipo “Oh, Deus, o que eu vou fazer agora? Você está certo”’

Falar não é suficiente. Nós devemos ser responsáveis. Se você é parte dessa indústria, você é parte do problema. Se você é parte da sociedade e tem pessoas que são destituídas de direitos, você é parte do problema, porque tudo está conectado. Eu só olhei para isso e disse, “OK, eu vou abrir uma companhia de produção.” Eu apenas comecei sendo ativa com mais do que apenas papéis que eu escolhi. Eu comecei perguntando quais oportunidades eu poderia criar para os outros.

A ambição faz você sentir que tem sempre que continuar, como Elizabeth?

Sim, exceto, é que sou diferente de Sloane em relação à morte, à vitória, à competição. Eu sou a menos competitiva. Eu não participo de jogos de esportes. Eu gosto de motocross e jet-ski, mas isso é quando você está sozinho. Mesmo quando estamos todos juntos no Natal e as pessoas dizem “vamos jogar um jogo de tabuleiro”, eles me deixam muito desconfortável porque acho que alguma pessoa ficou magoada. Eu não sou como, “Eu ganhei! Eu estou chutando sua bunda!” Isso não é interessante para mim. Mesmo quando eu assisto à World Series ou à Copa do Mundo, eu me sinto terrível pela equipe no final, que está chorando no campo. Meu Deus, meu coração está quebrando.

 

Outra divisa para “Miss Sloane” é que você começa a fazer de Jake Lacy um menino ruim, que interpreta um acompanhante.

Tudo bem por mim.

Depois de “Obvious Child” e “Carol,” ele era o eterno garoto legal.

E “Girls”. Eu lembro de entrar naquela primeira cena, com ele deitado lá sem camisa, tipo, “Sério? Você está brincando comigo?” Meu trabalho é tão divertido. E ele é ótimo no filme. Obrigada Deus por essas cenas, porque é quando você vai ver ela quando não está trabalhando. É a sua única forma de relacionamento.

Diga-me sobre o desenvolver do look de Elizabeth com John Madden, que também dirigiu você em outro drama político, “No limite da mentira.”

Quando eu li o script pela primeira vez, eu assumi que ela iria se parecer de uma certa maneira. Eu assumi que ela dificilmente iria usar alguma maquiagem e que ela estaria parecendo cansada o tempo todo. E então eu fui para DC e conheci todas essas lobistas de unhas pintadas de preto. Eu não podia acreditar no que vi e como elas, trabalhando numa indústria em que todos são homens, usam suas roupas como seus uniformes.

Ela não pode se dar o luxo de parecer cansada ou observada.

Não, exatamente. E quando eu voltei eu estava falando para o John sobre isso e nós fizemos o teste de câmera, foi tão diferente de como nós tínhamos discutidos a personagem. Era o cabelo que parecia como o dente de um tubarão, e é um vermelho mais forte que a cor natural do meu, e a maquiagem nos olhos com terno era muito forte, um look agressivo. Eu sei que para o John era como “O que está acontecendo aqui?” Mas eu disse, “Por favor, confie em mim. Você precisa confiar em mim. Eu realmente senti que essa era a maneira certa.” E ele confiou.

Qual foi o filme em que sua personagem veio logo à vida após colocar o figurino?

Celia Foote (de “Histórias Cruzadas”).

Eu sabia que essa seria sua resposta. Tem tanta coisa na essência de como ela se apresenta.

Certo, e também as pessoas iriam se relacionar comigo de forma diferente. Isso muda sua energia completamente. Eu nunca tinha experimentado isso, mas o cast inteiro – você sabe, 100 pessoas, a maioria homens, em filmes – a maneira como eles  olhavam para mim vestida como Celia Foote, e a energia que eu sentiria deles, e então eu iria para o trailer de maquiagem e tirava a peruca e a maquiagem e colocava minha calça e sairia, imediatamente tinha isso, “Huh”.

Eles eram mais simpáticos como você como Celia?

Como Celia, eles eram apenas mais interessados. Mais pessoas estavam olhando para mim. Eles não eram maus comigo quando eu não estava vestida [como Celia], mas você podia ver o poder da sexualidade.

Isso é interessante, considerando que Celia é alguém que só queria que as outras mulheres da cidade gostassem dela.

Pense em todos os meus personagens. Pense em Lucille de “A Colina Escarlate.” Há, definitivamente, algo sobre o jeito como ela se veste. Você põe o figurino e você vai, [estala os dedos] “OK.” O exterior é informado sobre o que está acontecendo no interior.

Celia Foote, a atriz favorita dela é Marilyn Monroe. É dito no livro. Eu acho que alguém, quando desde pequena, é dito para ela que ela se parece com Marilyn Monroe, ela vai querer projetar isso. E Lucille, tem uma restrição para ela. É quase como se ela estivesse em uma camisa de força. Ela tem essa raiva dentro dela e essa solidão e esse medo. Você pode vê-la sendo retida, mas depois, no final do filme, quando ela está vestindo sua camisola e há essa liberdade, ela é um morcego louco. Para mim, tudo vai de mãos dadas.

Você é boa em interpretar pessoas que têm estranhas desconexões com as outras, quer por escolha, quer por uma incapacidade de se verem como são. Estou imaginando você se desvendando em “Miss Julie”.

Sim, é uma longa noite para Miss Julie. Isso é interessante. Recentemente, alguém me perguntou em quantos filmes eu participei e eu não sabia, então eu fui para o IMDB e contei, apenas filmes no cinema. São 27 os filmes que eu fiz, o que é chocante. Se você pensa em Lucille, ou Maya de “A Hora Mais Escura”, existem definitivamente personagens que têm dificuldade de ser vulnerável com outra pessoa ou se conectar emocionalmente. Mas então, eu também tenho os personagens que são o oposto. Se você pensa em Celia Foote, ela é apenas um fantástico coração palpitante.

Ela quer se conectar com todo mundo, mas ela meio que não consegue descobrir como.

Mas ela apenas se joga dentro. Minnie, a personagem de Octavia Spencer, é como, “Garota, você precisa jogar duro para conseguir. Você está apenas se jogando lá fora.”  Ou “A árvore da Vida”, em que os personagens são apenas esses anjos de amor. Eu acho que, para mim, eu quero interpretar todos os tipos diferentes de mulheres. Ou “O abrigo.”

 

Ah sim, em “O abrigo”, ela está desesperada para se conectar com o marido.

E ela era toda sobre amor e compaixão. Espere até você ver “The Zookeper’s Wife.” Eu amo muito esse filme. Ela também tem um grande coração. Ela é tão amável, tão gentil. Ela é alguém que trabalha com animais. É uma verdadeira história de amor. Você tem que ser muito calma e fundamentada para poder trabalhar com animais.

Você conseguiu ver “Voyage of Time”, documentário de Terrence Malick que usa imagens de “A Árvore da Vida”?

Eu iria ficar realmente feliz de conseguir ver. Desde o começo, Terry tinha dito que “Voyage of Time” supostamente iria estrear ao mesmo tempo em que “A Árvore da Vida”, então estávamos todos preparados para esse filme. Eu tenho filmado em Santa Fe e ainda não tive oportunidade de assistir esse filme, mas “A Árvore da Vida” é um dos meus filmes favoritos. Eu não consigo assisti-lo desde que lançou porque é muito emocional para mim. Foi o ponto alto da minha vida.

Por que você estava bem jovem na sua carreira?

Isso e também porque eu estava interpretando uma personagem que era a reencarnação do amor, então todo dia era apenas preenchido com muita alegria. Eu estava meditando em expandir o espaço do meu coração e viver com ele aberto. É claro que isso afeta você e como você trata as outras pessoas. Eu amei tanto aqueles pequenos garotos, e eu amei tanto o Terry. Assistindo ao filme e vendo Mrs, O’Brien correndo por aquelas ruas com aqueles garotos pequenos, eu lembro do quão maravilhoso era. Eu fico desolada por isso.

Você está interpretando Tammy Wynette em uma biografia que está por vir. Como está se preparando?

Ai meu Deus, Eu amo Tammy Wynette. Bom, vai haver uma preparação em termos de música.

Você está cantando?

Yeah.

Você já cantou antes?

Em ‘A Colina Escarlate” eu canto uma canção de ninar realmente perturbadora. Mas isso não é muito sólido. Ouça, eu sou uma atriz que canta. Eu nunca vou abrir uma banda. Estou apavorada com isso. Vamos ver como isso vai ficar quando eu começar a preparação. Quem sabe? Eu posso não cantar. Estou deixando cada opção aberta. Eu li o livro da filha [de Tammy Wynette], The Three of Us, que eu achei tão interessante, e claro que estou assistindo a um monte de vídeos. Estou super animada para trabalhar com Josh Brolin. Não consigo imaginar outra pessoa interpretando George Jones. Ele é tão certo para isso. Eu não sei se você leu o roteiro, mas é tão dinâmico e excitante e sexy. Eles são como Sid e Nancy da cena country.

Essa entrevista foi editada e condensada (pelo Huffington Post) para melhor clareza e duração.

FONTE

 

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